domingo, 2 de outubro de 2011

Tempestade em copo d’água ou sexismo?

A Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) da Presidência da República enviou na terça-feira 27/09 um ofício ao Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (Conar) pedindo a suspensão de uma campanha da Hope, fabricante de lingerie, estrelada pela super-hiper-mega top model brasileira Gisele Bündchen.

Os vídeos da campanha (vide abaixo), intitulada “Hope Ensina”, mostram a exuberante modelo contando ao marido que bateu o carro dele, que estourou o limite dos cartões de crédito de ambos e, também, avisando ele que sua mãe irá morar com o casal. No início, Gisele revela os problemas ao marido da maneira errada, isto é, vestida com roupa. Na seqüência, apenas de lingerie, ou seja, da maneira correta. Por fim, a Hope incentiva as brasileiras a utilizarem seu charme para, assim, fazer a coisa certa. A SPM não achou graça e pediu que o anúncio fosse retirado do ar por entender que a publicidade “reforça o estereótipo das mulheres como objetos sexuais”.

O comunicado da secretaria acrescenta, ainda, que os vídeos “promovem o estereótipo errado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora grandes avanços que alcançamos para desmontar práticas e pensamentos sexistas”. A Hope, por meio de nota oficial, se explicou dizendo que “os exemplos nunca tiveram a intenção de parecer sexistas, mas, sim, cotidianos de um casal. Bater o carro, extrapolar nas compras ou ter que receber uma nova pessoa em sua casa por tempo indeterminado são fatos desagradáveis que podem acontecer na vida de qualquer casal, seja o agente da ação homem ou mulher”.

O fato, obviamente, gerou reações de todos os lados. Há quem defenda a postura da SPM, como o blogueiro Eduardo Guimarães, alegando que “a campanha estimula a mulher a conseguir o que quer dos homens, sobretudo em termos financeiros, através da sensualidade, ou seja, do sexo. Estimula garotas a conseguirem para si o “coronel” que tantas buscam, hoje em dia. Algum coroa gordão e endinheirado, talvez”, escreveu. E acrescenta: “Não criei minhas filhas para isso. Eu e a minha mulher as ensinamos a não dependerem de homem nenhum, a jamais se fiarem nos intensos poderes de sedução que as mulheres conservam só enquanto são jovens e possuem atributos físicos que se enquadram no padrão de beleza vigente. E a sempre levarem em conta que os padrões de beleza femininos mudaram muito através dos tempos”. Outros, porém, regiram indignados, alegando que o comunicado da SPM é mal-humorado, que a sociedade brasileira está perdendo o bom humor, que não se pode mais brincar ou fazer piadas sobre nada sem gerar reações que beiram a paranóia e que a SPM deveria cobrar dos governos federal, estaduais e municipais, e não da publicidade, políticas públicas de proteção e valorização da mulher brasileira.

Eu, Coccinelle, acho esta campanha ridícula e estúpida, como, aliás, costumam ser os publicitários de uma maneira geral. Tanto é assim que seus criadores tiveram que chamar um nome de peso para estrelá-la. Não fosse a presença da magnífica Gisele Bündchen certamente a Hope não teria nenhuma esperança de emplacar esta campanha. Entretanto, não sei se censurar é a melhor saída. Esta, também, me parece ser uma solução um tanto estúpida. O que fazer, então? Está lançado o debate (pour Coccinelle).












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