domingo, 26 de setembro de 2010

Quem é como vive e o que pensa Giuliano Manfredini, o único herdeiro do líder da banda Legião Urbana

Em entrevista concedida a Valmir Motarelli, para o portal IG, o filho do inesquecível Renato Russo, Giuliano Manfredini, revela um pouco das suas idéias sobre a vida, o mundo, a política e as pessoas. É muito interessante perceber como um jovem de apenas 21 anos pode ser tão maduro. Mais interessante, ainda, é perceber como os jovens de hoje são mais assumidos que os jovens de outrora. A juventude contemporânea, ao menos aquelas dos grandes centros urbanos, fala com mais naturalidade, leveza e desenvoltura sobre temas polêmicos que envolvem o uso de drogas, comportamento sexual, aborto, entre tantos outros. Claro que esse posicionamento mais franco e relaxado frente a tais temas é fruto de lutas e conquistas de gerações anteriores, afinal, a história é um ato contínuo. Mesmo assim, não deixa de ser interessante observar que está a ocorrer em nosso tempo uma pequena revolução silenciosa. Para onde ela vai nos levar, não sei. O que sei é que dias melhores estão por vir. Talvez eu, Coccinelle, não os veja, mas que eles virão, não tenho a menor dúvida! A seguir a entrevista do Giuliano Manfredini. Quis reproduzi-la aqui para prestar uma pequena homenagem tanto aos jovens de hoje quanto ao magnífico Renato Russo que sempre admirei.

iG: Você começa a tomar conta do espólio do seu pai. Consegue explicar de onde vem o interesse permanente dos jovens pela banda?
GIULIANO: Em primeiro lugar, a sinceridade do meu pai de correr atrás do que sempre sonhou. Não adiantava nada ele ser um gênio se não corresse atrás do que acreditava. Legião toca nas pessoas. Se você ganha um chute na bunda de uma garota, a música do meu pai vai te dar uma mensagem. “Índios”, “Daniel na Cova dos Leões”, “Tempo Perdido”... Todo mundo já teve um momento que se identificou com uma letra. Mas ele não era um deus, era um homem comum.

iG: Você mantém contato com os outros integrantes do Legião?
GIULIANO: Não tenho contato direto com eles. Não falo sobre isso, porque já houve brigas. Eu detenho o direito sobre o nome Legião Urbana, sou o verdadeiro herdeiro da banda. Existe uma questão delicada, mais que isso prefiro não falar.

iG: Quem não gosta do Legião costuma afirmar que Renato fazia músicas depressivas. Concorda com esta crítica?
GIULIANO
: Schopenhauer (Arthur Schopenhauer, filósofo alemão) falava que se você for analisar o mundo, isso aqui é um lugar ruim. O que meu pai queria dizer é que, por termos poucos momentos bons na vida, visto que felicidade é momentânea, somos todos tristes. Estes raros momentos são a força para seguir em frente.

iG: Você é ateu?
GIULIANO: Não. Meu pai era católico, mas fazia seu próprio catolicismo. Sou um pouco assim. Criei minha religião. Meu pai é a pessoa mais presente na minha vida. Sou sensitivo. Ele faz parte da minha consciência.

iG: O que você herdou da personalidade dele?
GIULIANO: A força de vontade. Não entenda como preconceito, mas eu poderia ser funcionário público, como tantos querem na vida. Trabalhar pouco, ganhar muito, ter uma vida pacata... Tem muita gente que não tem sonho. Brasília é muito assim, de gente morgada, apática. Não preciso trabalhar para sobreviver. Trabalho porque quero, porque gosto.

iG: O que você faz? Como é o seu trabalho?
GIULIANO: Minha produtora, a Mundano, trabalha novos artistas. Em março faremos um festival de música em Brasília. Estamos produzindo uma peça, que ainda não posso falar, além da trilha sonora dos dois filmes sobre o Legião (“Faroeste Caboclo” e “Somos Tão jovens”). Eu é quem escolho as músicas que vão entrar na trilha. O pitaco é meu.

iG: Seu pai fez algumas letras bastante políticas. Você se interessa pelo assunto?
GIULIANO: Não sou aquele que sabe o nome de todos os políticos, mas tenho opinião formada. Sou neutro em relação à política. Desculpe falar assim, mas a eleição desse ano virou uma grande palhaçada.

iG: Por quê?
GIULIANO: Pelos candidatos... O brasileiro está descrente com o País. Não acredito em lados, em direita ou esquerda, mas em interesses. Por isso não voto. Será a segunda eleição que posso votar, mas prefiro justificar. Ninguém vota mais por ideologia.

iG: Praticamente todo adolescente gosta de ouvir Legião Urbana. Isso te facilitou fazer muitos amigos?
GIULIANO: Não, conto nos dedos os meus amigos. Sofria muito preconceito na fase escolar, porque era filho dele. Tenho orgulho do meu pai, e isso era confundido com exibição. Adorava falar empolgado dos novos trabalhos do Legião. Os garotos tinham prazer em me excluir. Eram agressões verbais diárias.

iG: Como eram estas agressões?
GIULIANO: A partir do momento que entrei no colégio e ouvi dos colegas que meu pai era “bicha”, para você ver como eles eram escrotos, passei a entender o que isso significa. Admitir que era homossexual naquela época é mais um motivo para vê-lo como herói. Tem que ser muito macho para falar “eu sou gay”.

iG: Você entendeu desde o começo o que significava o fato do seu pai ser gay?
GIULIANO: Não existe ninguém homossexual de fato. Todo ser humano é bissexual. Se não tivesse nenhuma convenção social seríamos todos bissexuais assumidos. Meu pai não via diferença em amar as pessoas.

iG: Você já teve alguma relação homossexual?
GIULIANO: Eu já tive experiências com homens. Mas hoje sou heterossexual. Estou apaixonado por uma garota do Rio. Não tenho vergonha de falar essas coisas. Ninguém pode falar que é heterossexual se nunca experimentou o outro lado para saber que não gosta daquilo. É como o cara que fala que não gosta de maconha, sem nunca ter usado. Pode falar que é contra, mas não pode falar que não gosta.

iG: E sofreu preconceito por isso?
GIULIANO: Nunca namorei homens a sério, era mais pegação, zoação mesmo, em boates. Preconceito, claro que rola. Mas é coisa minha, ninguém tem que se envolver com isso. E se você não quiser mais ser meu amigo só porque eu beijei um homem, você é um medíocre. Experimentei sim, foi uma experiência boa. Mas não levo esses detalhes adiante. Se um filho meu falar que é gay, vou falar “que bom”.

iG: Você deu uma declaração certa vez chamando seu pai de “idiota” por ter usado drogas. Você nunca experimentou?
GIULIANO
: Falei uma vez isso numa entrevista, me arrependo muito dessa declaração. Usa quem quer, não acho errado usar. É cultural dos jovens transgredir as regras. Coloca aí que vou uma vez por ano a Amsterdã.

iG: Como você trata esses assuntos em casa?
GIULIANO
: Minha mãe pergunta, falo com ela, na boa. Falo que já experimentei. Não tem problema, temos diálogo em casa.

iG: Quais são as lembranças do contato que teve com Renato?
GIULIANO
: Convivi com ele até os 7 anos. Fernando Pessoa dizia que a importância das coisas não está na duração, mas na intensidade. Meu pai era uma pessoa muito intensa, assim como eu. Passava os dias com ele, em seu apartamento. Chegamos a fazer uma viagem a Nova York, quando fiz 5 anos. Ele me encheu de brinquedos.

iG: Você não chegou a conhecer sua mãe (que morreu num acidente de carro) e foi criado pela avó paterna. Como é esta relação familiar?
GIULIANO
: Desde que minha mãe morreu, quando eu era recém-nascido, a guarda ficou com minha avó. Cresci chamando-a de mãe. Todo jovem tem seus momentos de curtição, farra. Mas também sou família. Tenho o maior orgulho de tê-la ao meu lado.

iG: Que futuro projeta para a lembrança do que representou o Legião?
GIULIANO
: Legião tem força para muito mais. Quero estar aqui daqui a dez anos escutando e vibrando com cada uma das músicas do meu pai. Vou tomar conta de tudo. O mais importante não é lucrar com tudo isso, mas manter a ideologia de suas canções viva na memória das pessoas, de quem não conheceu e de quem ainda vai ouvi-las. Ainda temos muita coisa inédita para um dia, quem sabe.

domingo, 19 de setembro de 2010

Um mil sons ao som do Chico César e do Herbert Vianna

Hoje amanheci assim, com um não sei quê vindo não sei de onde, que se instalou não sei por quê. Um velho sábio das montanhas escaldantes dos sertões me disse certo dia que o nome disso é saudade. Saudade do amor que nunca tive; saudade do meu amor que nem mesmo meu coração sabe quem é. “Como esta noite findará e o sol, então, rebrilhará, estou pensando em você...Onde estará o meu amor? Será que vela como eu? Será que chama como eu? Será que pergunta por mim? Onde estará o meu amor? Se a voz da noite responder onde estou eu, onde está você? Estamos cá dentro de nós, sós...Onde estará o meu amor? Se a voz da noite silenciar, raio de sol vai me levar, raio de sol vai lhe trazer...Onde estará o meu amor”? Tua voz é para mim tão bela quanto o mais belo prelúdio de Chopin. Teu olhar irradia toda luz que faz dos meus dias os mais radiosos. Teu nome faz lembrar o nome do meu desejo contido em um mil sons. Por isso “eu queria ver no escuro do mundo, onde está tudo que você quer pra me transformar no que te agrada, no que me faça ver quais são as cores e as coisas pra te prender. Eu tive um sonho ruim e acordei chorando, por isso eu te liguei. Será que você ainda pensa em mim? Será que você ainda pensa? Às vezes te odeio por quase um segundo, depois te amo mais. Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo que não me deixa em paz. Quais são as cores e as coisas pra te prender? Eu tive um sonho ruim e acordei chorando, por isso eu te liguei”. Será que você está pensando em mim? Em que será que você está pensando agora? Foi por pensar tanto em ti que hoje amanheci assim. Por esta razão, resolvi escrever estas mal traçadas linhas (pour Coccinelle).

domingo, 12 de setembro de 2010

Para refletir: O Contrário do Amor

Uma amiga enviou para mim, Coccinelle, o texto abaixo por e-mail. Achei interessante e resolvi postá-lo nesse cantinho. Trata-se de uma reflexão sobre os sentimentos humanos, estes seres incompletos e imperfeitos e frágeis, feito crianças recém-nascidas, que passam a vida inteira à procura de afeto, atenção e guarida. No final das contas é só isso que verdadeiramente importa. Todo o resto não passa de puro supérfluo. Reflitamos.

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto (por Martha Medeiros).

domingo, 5 de setembro de 2010

Poema Falado: Ideias Íntimas (Lira dos vinte anos)

De acordo com a filosofia, o desejo pode ser entendido como uma tensão em direção a um fim considerado uma fonte de satisfação pela pessoa que deseja. Trata-se, pois, de uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida. Quando consciente, o desejo se configura como uma atitude mental que acompanha a representação do fim esperado. Este, por sua vez, nada mais é do que o conteúdo mental relativo ao ato de desejar. O desejo não pode ser confundido com a necessidade fisiológica ou psicológica que o acompanha por ser o elemento afetivo destes. Na tradição filosófica, o desejo pressupõe carência, indigência. Um ser que não caressesse de nada não desejaria nada. Este ser seria um perfeito, um deus, portanto. Por isso Platão e os filósofos cristãos conceberam o desejo como uma característica de seres finitos e imperfeitos. O Poema Falado deste mês discorre sobre o desejo de amor e gozo por meio dos magníficos versos do Álvares de Azevedo: “Oh! ter vinte anos sem gozar de leve / A ventura de uma alma de donzela! / E sem na vida ter sentido nunca / Na suave atração de um róseo corpo / Meus olhos turvos se fechar de gozo! / Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas / Passam tantas visões sobre meu peito! / Palor de febre meu semblante cobre, / Bate meu coração com tanto fogo”! Boa leitura.
*

domingo, 29 de agosto de 2010

Regra sobre herança vale para gays, diz Justiça alemã

A Suprema Corte da Alemanha decidiu no último dia 17 de agosto que casais gays que têm parcerias civis registradas têm o direito às mesmas regras para o pagamento de imposto sobre herança que casais heterossexuais casados. A mais alta instância da Justiça alemã decidiu que alíquotas de imposto diferentes para gays e lésbicas que vivem numa união civil estável são contrárias à Lei Fundamental (Constituição) por ferir o princípio da igualdade.

O Tribunal Federal Constitucional decidiu em favor de dois homossexuais, um homem de 70 anos e uma mulher de 46, que haviam perdido seus parceiros logo após o registro da união, e contestaram as regras segundo as quais teriam de pagar o imposto sobre herança como se fossem parentes distantes do morto. Na visão da corte, parceiros homossexuais que iniciaram uma união civil vivem “numa parceria duradoura e legalmente consolidada, como cônjuges”. Essa situação inclui a expectativa de manter o nível de vida alcançado caso o parceiro morra.

O tribunal decidiu que não há razão para discriminar pessoas que têm parcerias registradas. Tais uniões são feitas na Alemanha desde 2001, mas legalmente não têm o peso de um casamento. Atualmente, um dos cônjuges paga um imposto sobre a herança entre 7% e 30% no caso de bens que excedam 60 mil euros, mas parceiros homossexuais têm de pagar um porcentual entre 17% e 50%.

O tribunal disse que conceder equidade tributária às parcerias homossexuais registradas não interfere no dever constitucional do governo de proteger e apoiar o casamento e a família. O governo deve apresentar a legislação para encerrar essa discrepância até o fim do ano. “Este é um bom dia para os homossexuais na Alemanha”, disse Volker Beck, legislador do partido Verde que assume sua homossexualidade.

Um esboço da lei já produzido pelo governo tem como objetivo eliminar a diferenciação, mas a Suprema Corte foi mais além e exigiu que a legislação seja retroativa e deve ser aplicada a todos os casos ocorridos desde que a parceria civil foi introduzida no país. Em janeiro de 2010 o Estado alemão reconheceu o direito de os homossexuais registrados como casal de fato a receberem pensão por viuvez.

Associações de homossexuais saudaram a decisão como um passo importante para a conquista da igualdade de direitos para casais homossexuais. O Partido Liberal Democrático (FPD), que faz parte da coalizão de governo, e os oposicionistas Partido Verde e A Esquerda exigiram que também sejam abolidas as desvantagens que os casais homossexuais têm na hora de pagar imposto de renda. (Fontes: Agência Estado e Deutsche Welle).

Enquanto isso no Brasil...

De acordo com Relatório 2010 da Anistia Internacional, o Brasil, ao lado do Irã, Turquia e Zimbábue, é um dos países que mais persegue e discrimina os homossexuais. Diz o Relatório: “no Brasil centenas de membros das minorias sexuais foram assassinados nos últimos anos”. De acordo com o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), o historiador Marcelo Cerqueira, 198 gays, lésbicas, travestis e transsexuais foram assassinados no Brasil apenas no ano de 2009. É possível que esse dado seja superior ao número apresentado, haja vista que tal cifra se refere tão somente aos crimes que foram divulgados nos noticiários impressos nacionais e às denúncias que chegaram até o GGB. Todos esses crimes, porém, têm um denominador comum: eles foram motivados pelo ódio às pessoas homossexuais ou cuja sexualidade destoa dos padrões heterosexistas predominantes. Para Marcelo Cerqueira, o Brasil precisa “tratar de criar um ambiente de tolerância”. E as denúncias não param por aí.

Uma pesquisa realizada em 2004 pela United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) comprova que apenas 12% dos jovens de Brasília consideram crime humilhar travestis, prostitutas e homossexuais. Cerca de 18% dos jovens estudantes brasileiros considera a homossexualidade uma doença. Nas escolas paulistas, 28% dos estudantes do ensino médio e fundamental não gostariam de ter um/a colega de classe homossexual. Considerando apenas os estudantes do sexo masculino, 41% dos rapazes não toleram colegas gays ou lésbicas. Outra pesquisa da UNESCO de 2007 revelou que uma prática muito difundida entre os adolescentes de classe média de Brasília são as surras que aplicam em travestis e gays. No Distrito Federal, as travestis fazem ponto nos setores Comercial, Hoteleiro e de Diversões, locais com pouca iluminação e deficiente policiamento. Marcelo Kalil, 29 anos, brasiliense, disse que já presenciou este tipo de agressão. “Vi um cara quebrar um taco de beisebol nas costas de uma bicha, pela janela do carro em movimento. Foi uma selvageria”.

Outra pesquisa, desta vez realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com a fundação alemã Rosa Luxemburgo Stiftung sobre sexualidade e homofobia no Brasil, revelou que 58% dos brasileiros consideram a homossexualidade um pecado contra as leis de Deus. Para 29% dos brasileiros a homossexualidade é uma doença a ser tratada. Para o estudo foram entrevistados 2.014 adultos nas cinco regiões do país, demonstrando que, embora sejamos o país do carnaval e da bunda de fora, o preconceito direto ou velado contra os homossexuais persiste de maneira grotescamente hipócrita, dura e violenta.

Estes são apenas alguns casos de violação dos Direitos Humanos no Brasil e, mais especificamente, dos direitos dos LGBTs em expressar livremente sua sexualidade. O Brasil ao invés de ficar se vangloriando por ser penta campeão de futebol e, por conta disso, achar-se melhor que outros povos, como os nossos vizinhos argentinos, por exemplo deveria cuidar dessas questões de violação e desrespeito. Nuestros hermanos portenhos deram ao mundo não um show de bola, mas, sim, um show de civilidade e de respeito pelos Direitos Humanos. Ponto para eles! O Brasil deveria mirar-se neste espelho, a fim de criar, como disse o presidente do GGB, um ambiente de tolerância onde possa vicejar uma cultura de paz, respeito, dignidade para todos/todas, fortalecendo, desta maneira, nossa democracia (por Coccinelle).

Homens profissionais do sexo reuniram-se para discutir prevenção contra DSTs

A falta de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DST) é comum entre profissionais do sexo. “Alguns clientes acham que podem pedir qualquer coisa só porque estão pagando. Eu também vejo colegas que aceitam tudo por causa dinheiro”, diz Harry Patrycio Lins, profissional do sexo há quatro anos. Morador de Belém (PA), Harry afirma que, para ele, o uso da camisinha é indispensável, mas a maioria dos colegas de trabalho não pensa assim.

Ele faz parte de um grupo de 25 profissionais do sexo que até o dia 27 de agosto estiveram reunidos em Brasília para discutir o direito à saúde e prevenção de DST entre a categoria. “Vir aqui é o melhor jeito de lutar pelos nossos direitos. O pessoal das ONGs não sabe o que acontece na rua. A gente fala para eles, mas eles não vivem isso na pele, todo dia”, explica Anderson Soares, de 25 anos, que trabalha na área há mais de dez anos.

A preocupação de Harry com as DST aumentou quando, há um ano, o irmão de 27 anos descobriu que tinha contraído o vírus da AIDS. “Quando você vê com os outros, percebe o problema; mas, quanto acontece com alguém da sua família, alguém próximo, tudo desaba. Eu miro na experiência dele para não passar pelo mesmo”, afirma.

No caso de Anderson Soares, o cuidado só veio depois do diagnóstico positivo para gonorreia por duas vezes, depois dos 18 anos. “Agora, sempre uso camisinha e faço o teste de HIV de seis em seis meses”, garante o profissional, que mora em Natal (RN).

O Encontro de Trabalhadores Sexuais Masculinos (Entrasex) contou com a participação de representantes do governo e de movimentos sociais. Segundo diretor-adjunto do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Eduardo Barbosa, o evento teve o objetivo de determinar os problemas que o grupo enfrenta e, com ele, desenvolver estratégias para incluí-lo nas políticas de direitos humanos.

“Essa parte da população [profissionais do sexo] é muito encoberta, invisível. Nós precisamos ouvi-la também. E, no caso do homem, é muito importante porque geralmente ele não procura serviço de saúde, só quando tem alguma infecção”, afirma Barbosa (Fonte: Agência Brasil).

domingo, 15 de agosto de 2010

Ladybug (Coccinella septempunctata)

I’d like to introduce my relatives Ladybugs. Ladybugs, ladybirds, or lady beetles, or mariquita, or marienkäfer or joaninha, or coccinelle – whatever one calls them – are favored by farmers as voracious pest-eaters. We use to hate all kind of pests. Natural pests, when we born insects, or social pests like racism, homophobia, xenophobia, sexism und so weiter, when we born human being that desire to fly and to be free.

Many people are fond of ladybugs because of their colorful, spotted appearance. But farmers love them for their appetite. Most ladybugs voraciously consume plant-eating insects, such as aphids, and in doing so they help to protect crops. Ladybugs lay hundreds of eggs in the colonies of aphids and other plant-eating pests. When they hatch, the ladybug larvae immediately begin to feed. By the end of its three-to-six-week life, a ladybug may eat some 5,000 aphids. You can see that ladybugs are so important for the plantations health, when they are insects, and social health too, when they are human. All of us must be implacable with pests and to fight hard against then if our desire is a world without war, hunger, poorness, prejudice and other kind of social pests.

Ladybugs are also called lady beetles or, in Europe, ladybird beetles (in Brazil they are called Joaninhas). There are about 5,000 different species of these insects, and not all of them have the same appetites. A few ladybugs prey not on plant-eaters but on plants. The Mexican bean beetle and the squash beetle are destructive pests that prey upon the crops mentioned in their names.

Ladybugs appear as half-spheres, tiny, spotted, round or oval-shaped domes. They have short legs and antennae. Their distinctive spots and attractive colors are meant to make them unappealing to predators. Ladybugs can secrete a fluid from joints in their legs which gives them a foul taste. A threatened ladybug may both play dead and secrete the unappetizing substance to protect itself. Their coloring is likely a reminder to any animals that have tried to eat their kind before: “I taste awful”. Sometimes human ladybugs must to reminder their predators that they (we) are so awful if necessary, specially to protect ourselves and to defend our ideas. Don’t make blind yourself. Our appearance can be fragile, but our soul is so strong. Ladybugs and people like ladybugs are so necessary for the humanity (Source: National Geographic and Coccinelle).

domingo, 8 de agosto de 2010

Bom dia!!!

“Um dia quero mudar tudo, no outro, eu morro de rir. Um dia tô cheia de vida, no outro, não sei aonde ir. Um dia escapo por pouco, no outro, não sei se eu vou me livrar. Um dia esqueço de tudo, no outro, não posso deixar de lembrar. Um dia você me maltrata, no outro, me faz muito bem. Um dia eu digo a verdade, no outro, não engano ninguém. Um dia parece que tudo tem tudo pra ser o que eu sempre sonhei, no outro, dá tudo errado e acabo perdendo o que já ganhei. Logo de manhã, bom dia! Um dia eu sou diferente, no outro, sou bem comportada. Um dia eu durmo até tarde, no outro, acordo cansada. Um dia te beijo gostoso, no outro, nem vem que eu quero respirar. Um dia quero mudar tudo no mundo, no outro, eu vou devagar. Um dia penso no futuro, no outro, eu deixo pra lá. Um dia eu acho a saída, no outro, eu fico no ar. Um dia na vida da gente, um dia sem nada demais. Só sei que eu acordo e gosto da vida. Os dias não são nunca iguais. Logo de manhã, bom dia”!

Esse texto, na verdade, é a letra de uma música composta e escrita Swami Júnior e Paulo Freire. Decidi colocá-lo aqui nesse cantinho porque é um belo texto e tem tudo a ver comigo, Coccinelle. Mais que isso, esse texto me traduz, como poucos já me traduziram. Impressiona-me a capacidade que os poetas possuem de nos traduzir, de mergulhar fundo no mais fundo de nossas almas, desbravando desvãos que, por vezes, até mesmo nós desconhecíamos. Como poesia não sei fazer, e, também, por desconher os mecanismos de tradução de almas, resta-me dizer, apenas, “Bom Dia, Buenos Días, Good Morning, Guten Morgen, Bon Jour”!

domingo, 1 de agosto de 2010

Poema Falado: Depois do Filme

No panteão das antigas lendas gregas as deusas dançarinas, seguidoras de Vênus, receberam a alcunha de Graças. Consta que três elas eram: Aglaia, Tália e Eufrosina. A suavidade dos seus gestos, a leveza dos seus movimentos enchia de beleza, encantamento e alegria a alma de deuses e mortais. No panteão das minhas paixões, três são as graças: a Música, a Literatura e o Cinema. Do mesmo modo que as Cárites gregas, também estas, que dentro de mim habitam, inundam minha alma de beleza, encantamento e alegria, sobretudo, quando se encontram e, ao invés de três, tornam-se um único ser. Para celebrar esse encontro, o Poema Falado deste mês discorre com música e poesia toda a beleza, encantamento e alegria que o cinema é capaz de nos proporcionar. Com texto de Heitor Ferraz e música de Ennio Morricone, na voz graciosa da Dulce Pontes, este Poema Falado presta uma homenagem a filmes e artistas inesquecíveis. Boa leitura! (por Sílvio Benevides)
*